Um Olhar do Paraíso (2009) de Peter Jackson.

Jackson é talvez o diretor mais corajoso do momento. Depois de mexer com um clássico da literatura inglesa, foi fundo na cultura norte-americana e saiu com uma revisão de King Kong. Ainda ano passado produziou o ótimo Distrito 9, ainda com suas pretensões gigantescas e imaginário diversificado.

Que ele é um gênio dos efeitos especiais todos já sabiam, e talvez seja esse o principal motivo para Um Olhar do Paraíso soar como desespero. Um dramalhão old-school: família destruída e personangens sem controle. A brisa é mesmo a atuação primorosa de Saoirse Ronan (e eu prefiria ver a jovem com o Oscar na mão do que a fraca Sandra Bullock).

A trama é tão pobre e previsível que não se enxerga suspense. O filme é oco, o tempo todo é possível adivinhar o que vai acontecer. De uma forma que o diretor deposita todas suas expectativas nos atores, que nem sempre são capazes de passar do comum. Pra completar, uma confusão de cenas belíssimas ao som de canções belíssimas que levariam a minha mãe as lágrimas, embora se encontre isso em qualquer filme vagabundo na televisão.

E ainda tem uma frase no final que me incomoda horrores, algo como: “foi preciso eu morrer para alguns elos se mostrassem poderosos”. Que coisa sinistra, a menina é morta, mas no fim está tudo bem.