Mais do que um filme político, Tropa de Elite 2 é um filme franco e objetivo. Padilha mostra seu herói de cara-limpa, e é esse sim o herói que procurávamos (e ai respeito quem diz que Capitão Nascimento virou o Batman do Nolan).

Porém, diferente do figurão palermo protagonizado por Bale, Wagner Moura caracteriza (com muito capricho, diga-se de passagem) um homem comum, inoperante. Suas forças não são suficientes para mudar o curso do sistema. Dessa vez não é Nascimento contra os vagabundos, é ele contra a politicagem. E a solução banal do primeiro filme perde o sentido aqui.

Cinematograficamente, Padilha também evolui. Duas cenas ótimas me prenderam atenção. Uma delas é a da imagem lá em cima e a outra a do confronto de Nascimento com os PMs da milícia (numa filmagem frenética, de deixar qualquer fã de filme de ação americano com água-na-boca).

Wagner Moura não é o Cavaleiro das Trevas. Nem ele sabe bem o que é, mas está ali, sendo útil ou não. Dessa vez Padilha mostra seu ponto de vista mais claramente, e volto a dizer: é um filme franco, ainda que estereotipado.

Tropa de Elite 2 (2010) dirigido por José Padilha.