5. Machete – Robert Rodriguez

Um resumo de carreira, está tudinho aqui: um protagonista bizarro, violência grosseira, apelo político, humor sujo, mulheres belíssimas e etc. Sabemos que o cinema de Rodriguez quase se auto-sabota, tudo parece besteira, mas não é. Ao transformar Danny Trejo no herói dos imigrantes e jogar com todo o cenário americano de preconceito, ele não está somente provando um ponto, Robert Rodriguez está capturando a essência de sua arte bruta e rindo sarcasticamente da cultura de heróis sagazes norte americanos.

4. Toy Story 3 – Lee Unkrich

Parece irônico, ao menos pra mim, que a primeira animação digital fale logo do nosso amor por coisas inanimadas. E ai está a esperteza do desfecho dirigido por Unkrich. O nostálgico é perceber que ainda que estivéssimos aos poucos nos apegando a coisas novas, brincar com nossos bonecos era incomparável – a maturidade, um processo nem sempre amigável ou desejado, mas sempre necessário. A brincadeira, no entanto, continua.

3. A Ilha do Medo – Martin Scorsese

Esqueça os caminhos mais simples do roteiro. O mistério da ilha terrível – que Scorsese cria com maestria – não está enroscado em saber o que se passa no mundo real ou no plano do delírio do protagonista. O verdadeiro filme está nos momentos oníricos em que não sabemos ainda onde as suspeitas nos levarão. Mulheres congeladas, em chamas, retratos da guerra e personagens angustiantes. Os giros tomados por Os Infiltrados (2006) parecem brincadeira de criança quando nos vemos atorduados com as imagens e sons de A Ilha do Medo.

2. Vício Frenético – Werner Herzog

Admiro o jeito grosseirão e vulgar com que Herzog filma o vício. E é tão raro ver Cage num papel convincente que depois de uns três focos no seu rosto esqueçemos de suas caras e bocas de sempre. O filme é tão dopante que em alguns pontos o diretor deixa Cage fazer o que bem entende e, o ator nos deixa atorduado com seus movimentos bruscos. A câmera vai picotando as cenas, simulando uma alucinação. E sob imagens e cenas hilárias, Werner Herzog resolve um crime com a pressa de quem precisa de outra dose.

1. À Prova de Morte – Quentin Tarantino

Como se desativasse todos os artifícios usuais do seu cinema, Tarantino vai atrás do que há de mais simples na sua arte: os diálogos, os comentários sobre a cultura pop, a violência crua. É um daqueles exemplares sem gordura – cada cena existe para algum propósito -, numa comparação esdruxula, é o Psicose de Quentin Tarantino. Sem vocação para análise psicológica, o diretor traça o perfil do personagem de Kurt Russel como o de um outsider, um assassino marcado para morrer. O fundamental é perceber que, mesmo sem as milhões de referência e recortes, o cinema do nosso cinéfilo favorito funciona assim, apenas como uma grande exemplar de ação e exploitation.