A obsessão de Aronofsky pelo corpo humano chega ao ápice. Isso explica porque enxergo esse último como o melhor dele. Durante o filme, os atores se tocam o tempo todo, se beijam, excitam e seduzem uns aos outros. Com perfeito domínio de seus corpos. A personagem principal chega a dizer: “eu só quero ser perfeita”. Enquanto isso, a câmera procura os movimentos ideais, os melhores focos, os detalhes dos músculos.

Como em O Lutador (2008), o ritmo da película fica nas mãos do protagonista. E Natalie Portman se entrega completamente ao papel e equilibra-se numa personagem que fora dos palcos é frágil como uma pena, enquanto que sobre eles não abaixa o queixo em momento algum. Aronofsky faz o que quer com sua Nina Sayers, explora as milhares de nuances do corpo esbelto de Portman. Faz mais do que isso, morfa: o corpo humano se transforma em monstruosidade.

Cisne Negro (2010) dirigido por Darren Aronofsky.