Entre o cinema e a vida, aquelas milhares de semelhanças. E no clássico filme do diretor francês Éric Rohmer, é bem fácil perceber que a principal característica dele é a tentativa de fotografar aos relações humanas pelo que são. As conversas muitas vezes são confusas, sem norte, mas sempre muito aflitas e repletas de intenção. Rohmer encontra no seu protagonista a busca de um homem para encontrar um sentido para vida e para o amor através de ideais moralistas. Uma relação entre idealização e desejo, que acabou me lembrando de Match Point (2005) de Woody Allen – o filme francês é no entanto mais refinado e sutil.

A religião é outro ponto de suma importância para a compreensão das necessidades do protagonista. Rohmer, com uma câmera correta, encontra uma fuga tanto pela fé quanto pelo ateísmo. Os personagens passam quase todo o filme discutindo suas visões sobre a religiosidade, porém num enfoque reto. O tema em pauta é somente como a vida funciona com a religião ao seu lado, o diretor não se dá ao direito de questionar preceitos. Rohmer acaba nos revelando através de seus personagens que os caminhos da vida podem, felizmente, apenas depender das escolhas que fazemos.

Minha Noite com Ela (1969) dirigido por Éric Rohmer.