Engraçado como um filme, no caso este Bruna Surfistinha, pode dizer tanto sobre um formato de cinema nacional. Funciona como um compacto do livro (que eu não li, mas imagino que deva ser exatamente assim), sem traços do diretor, filmado com uma câmera impessoal, seguindo cada regrinha de um tipo de entretenimento que agrada o público, que após a sessão pode argumentar: “é uma história real, temos que levar a sério”. Numa comparação um pouco forçada, mas real, é o nosso Discurso do rei, com a exceção de que o filmeco do Hooper mostra algum interesse pela história, ainda que não tenha coragem – e talvez nem talento – para explorá-la.

No nosso cinema parece ser um crime conhecer o diretor. Mas de quem é a culpa? Principalmente quando o sujeito se esconde o longa inteiro. Quem é Marcus Baldini? Qual a marca dele nesse filme? Ele leva para as telas uma narrativa seca (sem trocadilhos), reta, que não tenta dar contornos diferentes a uma história que todos nós conhecemos. Por sorte, ele encontrou uma intérprete disposta a dar diversas versões da sua personagem (Deborah Secco é o filme, sem se utilizar de over-acting, dá diversas nuances para sua Raquel).

Há uma repetição forçada de cenas de sexo, a única arma capaz de prender a atenção do espectador (ou uma desculpa para mostrar o corpo da atriz). E também soa como uma tentativa de nos chocar com a força das imagens e dos discursos da protagonista – tudo é feito com tanto amadorismo que nunca consegue ser efetivo. No final do filme, só consigo traçar duas impressões que o diretor quis causar no espectador: nojo e pena (a sequência sobre vício em cocaína parece querer fazer o público abraçar a personagem). O resultado é um drama sem poder algum, sem vida alguma.

O maior valor cultural da sessão é a cena final ao som Fake plastic trees. Que de certa forma dá o tom da película.

Eu sai da sessão desanimado. Depois pensei um pouco sobre o filme, e até agora não consigo acreditar em uma cena sequer. Nada nesse longa me convence, a vontade era de pedir o ingresso de volta. “Mas é uma história real” diria o sujeito informado, e responderia: “a minha também”.

Bruna Surfistinha (2011) dirigido por Marcus Baldini.