A origem do roteiro dessa nova animação do Sylvain Chomet é nostálgica antes mesmo de sair do papel. Todo escrito por Jacques Tati, O mágico retrata através de um pequeno conto sobre um homem comum (apaixonado por sua arte), a esquizofrenia dos tempos modernos. A linha do filme é toda assim melancólica, um tom triste até mesmo quando belas imagens são jogadas na tela. O que ele tem de mais intocável é o claro sentimento de saudade das coisas mais simples e o olhar quase crítico ao perfumado, o enfeitado.

Depois de tudo que se passa entre os dois personagens, o mágico deixa uma declaração à menina, que soa como tentativa de dar outra carga de tristeza ao longa. É ai que coisa soou extremamente arquitetada, montada para ter esse cheiro de luto. E isso incomoda bastante, principalmente num filme que prega a sutileza, a sugestão.

Ainda sim, podemos ficar com as cenas mais poderosas dessa bela animação. Principalmente a cena genial em que ele começa a trabalhar na vitrine de uma loja de moda – e a menina acaba aparecendo, deixando-o claramente deslocado. Outro ponto importante é como Chomet observa a jovem que acompanha o mágico, sempre com o olhar torto, preocupado e triste.

Também não dá para esquecer a homenagem explícita a Meu Tio do Tati (na sequêcia em que ele se esconde da jovem e entra no cinema). O desenho é coisa rara também, todo charmoso e chique – também causa saudade, principalmente nesses tempos de 3D.

O Mágico (2010) dirigido por Sylvain Chomet.