Vou dizer que fazia muito tempo que eu não sentia vontade fugir de uma sala de cinema. E olha, vou ser honesto, a primeira sequência de ação movida ao musicão da Björk (Army of me, uma das melhores dela) me deixou vidrado. Fiquei esperando um filme ruim, mas divertido. Me decepcionei demais. Além de ser uma grande bobagem, o novo filme de Zack Snyder é um porre.

Em partes é fácil entender a matemática do diretor. Ele é fã de fitas de ação e quadrinhos, seus filmes anteriores deixavam isso bem claro – agora, depois desse longa, começo a ter minhas dúvidas se Snyder gosta de cinema. A princípio, dar total liberdade para um cara que filmou 300, me parece suicídio. Ainda que ele saiba compôr um visual bem plástico aos seus filmes, o diretor não sabe nem o que filma. Sucker Punch é um vazio raro, por trás dos panos não existe nada. O triste é que a ideia não é ruim, só é feita com total falta de talento e inteligência.

O roteiro por sinal lembra o filme mais recente do Nolan (e veja lá, Snyder é menos didático, ponto pra ele), um plano dentro de um plano dentro de um plano. Entretanto, a premissa nem se justifica. O filme se transforma numa brincadeira repetitiva para justificar uma forma de escapar daquele lugar (e nem venha comparar com Scott Pilgrim, que é muito mais sofisticado).

Porém, o que mais me incomoda é o uso de câmera lenta. Nem a queda de babatas de um balde foi poupada de uma desaceleração. É um uso desenfreado e cansativo de uma tecnológia que o próprio Snyder já tinha utilizado. Essa mão descontrolada ajuda o filme a se caracterizar ainda mais cafona, kitsch. Os covers de diversas músicas indies, por exemplo, me soa extremamente banal. Por sinal, a versão de uma obra-prima dos Beatles – Tomorrow never knows – é um crime. Ainda tem Where’s my mind? (dos Pixies) e White Rabbit (do Jefferson Airplane), duas músicas que estão entre as minhas favoritas, em versões terríveis.

Voltei a pensar sobre o Avatar do James Cameron logo depois que sai da sessão. Muita gente reclamou do roteiro do filme e disse que com dinheiro qualquer um faria. Depois desse filmeco, me pergunto se isso é mesmo verdade. Ainda que Cameron tenha mostrado certo relaxamento com a narrativa, fica evidente para mim que criar um mundo do zero não é para qualquer um. Me fez gostar ainda mais do filme dos Na’Vi.

Quando a este aqui, só consigo lamentar o show de horrores.

Sucker Punch (2011) dirigido por Zack Snyder.