Rio, Carlos Saldanha (Rio, 2011)

Pra poupar meu tempo eu podia escrever um comentário genérico do tipo que se lê em jornais, algo como: “Tirando o visual não sobra nada”. Mas não sou disso, apesar do filme não merecer meu tempo.

Eu só queria um filme sobre minha cidade – e não posso reclamar da beleza das imagens, que cravam com precisão a fotografia do Rio de Janeiro. Pensei em sair da sessão envergonhado, fazendo de conta de que não era comigo. Entretanto, desde a A era do gelo tenho a impressão de que Saldanha não é mais do que um realizador preso a uma fórmula, limitado por tiques infantis. Pelo menos para mim é uma alívio. E durante toda a sessão fiquei imaginando a expressão sonolenta de Miyazaki ao assistir uma animação como essa.

O grande problema da direção é que Saldanha vê a animação somente como um filme para crianças, por isso os personagens idiotizados, as situações ridículas e as piadas manjadas. Não há outra forma de explicar um bulldog vestido de Carmen Miranda dançando na Sapucaí sem atacar a inteligência do sujeito. Fico com outra impressão, a de que o tal do Saldanha é muito do esperto. O filme simplesmente dominou o circuito nacional (o Cinemark abriu mão de passar Turnê que deu melhor direção pro Mathieu Amalric em Cannes e Homens e deuses para garantir ao filme nada mais do que 6 salas). E lá fora a coisa não é diferente.

Em partes o filme é até bonito, principalmente esteticamente – embora não haja nada novo. As homenagens ao samba, ao Carnaval, a beleza da fauna e flora do Brasil também funcionam (embora não ajude muito a melhorar a imagem que o resto do mundo tem de nós). Todo o roteiro é arquitetado para funcionar, não mais do que isso – e não vou me cansar de usar essa palavra, porque não consigo encontrar outra forma de expressar esse marasmo.

Se houve algum benefício, foi que saí da sessão me coçando para ver os filmes do Miyazaki que eu não vi. O vôo daquele senhor de barba branca realmente começa no coração. Enquanto a Rio, fico com esse olhar distante, de quem preferia ter assistido o novo do Wes Craven.