Thor, Kenneth Branagh (Thor, 2011)

Quem lê o blog a mais tempo sabe que tenho uma relação de amor e ódio com fitas de heroi. Tem vezes que meu lado nerd fala mais alto e eu acabo gostando de qualquer bobagem que resolva fantasiar um sujeito de super-heroi. Porém, sempre que venho comentar sobre esses filmes deixo o lado cinéfilo tomar as rédeas do texto. E como cinema, admito que gosto de poucos filmes do gênero. Não vem ao caso falar de um por um, até porque eu precisaria de vários parágrafos para explicar meu amor pela obra-prima do Sam Raimi (Homem-aranha 2) – que continua sendo o melhor filme que a Marvel produziu.

Tentando montar na minha cabeça o que eu considero uma fita decente, me deparo com esse Thor do Kenneth Branagh. Um filme que apesar de seguir uma fórmula tradicional, busca pisar (com todo cuidado) em outros terrenos. A profundidade com que as personagens são apresentadas já indicava que o longa podia me mostra uma outra face da franquia. Não é bem o que acontece, embora a quantidade de acertos seja considerável. A começar pelo ator Chris Hemsworth que atua com segurança, dando ao seu deus do trovão a inocência e estupidez de um adolescente e ainda sim conseguindo preservar as características de bárbaro do personagem. Não é o que acontece com Natalie Portman, novamente sem muita ideia do que fazer com a personagem que lhe deram.

Estranhamente, o visual (Com céu multicolorido, ponte de arco-íris e etc), que parecia ser um problema, funciona bem. Assim como os alívios cômicos, frequentes no gênero. Além disso, apesar de acostumado a dirigir peças de Shakespeare, Kenneth Branagh se mostra um bom diretor de ação. As duas principais cenas de luta são os pontos altos do filme.

Organizado para funcionar como uma grande tragédia de Shakespeare, Thor se resume nos capítulos finais. Porém, sempre com muito cuidado ao resolver os dilemas dos personagens – com excessão do romance, que me pareceu óbvio demais. O drama do irmão não se resume a sede por poder, abre espaço para diversas interpretações. E isso é de longe o que o filme tem de mais arriscado, principalmente para o público vai ao cinema atrás de uma simples fita de ação. Nesse ponto, inclusive, o filme se assemelha ao Homem de ferro do Jon Favreau – que está um pouco a frente, ao meu ver.

O importante, no fim das contas, é que a Marvel começa a cobrar um pouco mais dos seus diretores e aos poucos buscam modificar a estrutura convencional. Mesmo que seja assim, com cuidado, aos poucos, timidamente.