Namorados para Sempre, Derek Cianfrace (2010)

Histórias de amor costumam ser nossos abrigos em dias vazios. São nelas que reecontramos nossa – mesmo que pequena – vocação para o romatismo. E ai não importa o quão comum seja o terreno pisado, quase sempre acabamos desarmados.

Namorados para sempre de Derek Cianfrance costura vários dos clichês de um filme de gênero, mas com uma impressionante capacidade narrativa o diretor toma estes traços comuns e os amaldiçoa – vide a trilha sonora, totalmente composta pelo Grizzly Bear. Tanto o nome quanto a aparência podem enganar, então cuidado: este não é um filme sobre o amor e sim sobre o fim dele – o nome em inglês (Blue Valentine) é, nesse caso, mais honesto.

Construído sob dois focos distintos da narrativa – passado e presente – o longa de Cianfrance tenta nos convencer que se trata de duas histórias diferentes, com personagens antagônicos. Quando o filme tenta (com uma montagem inteligente) mostrar os dois lados simultanemente, ganha seus melhores momentos. Isso porque o choque entre o pretérito doce e o presente doloroso consegue nos fazer acreditar na premissa inicial do diretor – e ai a importância de todo o trabalho em cima da aparência de Ryan Gosling, irreconhecível na parte linear da trama.

Sendo a principal arma do diretor nos machucar (logo nas primeiras cenas tenta criar antipatia à ambos personagens), ele sustenta o clima frio e melancolico (de fim do mundo mesmo) se apóia quase sempre nos dois ótimos atores e na trilha sonora genial do Grizzly Bear. Portanto, antes de mais nada, esse é um filme de atores.

Apesar de boas cenas, o texto truncado encontra diversos problemas de fluência. Não só a repetição histérica das cenas de crise entre os dois principais (a parte do motel me pareceu extremamente mal resolvida), mas também a dificuldade de se desviar do fatalismo.

Se o abuso de uma idéia toma formas nem sempre digeríveis, o desfecho, porém, não deixa de ser uma pancada. As coisas ficam tão soltas – mais perguntas do que respostas – que é impossível não se identificar com algumas das pontas. O fim de um amor sem grandes explicações. Tudo uma hora acaba.