Kung Fu Panda 2, Jennifer Yu (Kung Fu Panda 2, 2011)

Não acreditem no que eu vou falar na próxima frase, acreditem nisso: Kung Fu Panda 2 é um filme medíocre, de humor barato e cenas de ação de segunda. Mas vocês deveriam assisti-lo. Este é um dos poucos filmes que me fazem crer que o 3D é mesmo uma tecnologia que ajuda a transformar o cinema. E a DreamWorks parece ser o estúdio que mais soube utilizá-la (vide o ótimo Como treinar seu dragão).

Os diretores de arte da DreamWorks parecem compreender que a principal arma do 3D não é o abuso da nova realidade (um exemplo são os objetos lançados contra o público em diversas cenas de Fúria sobre rodas 3D), a grande sacada dessa nova possibilidade de filmar é a composição das paisagens. Eu já havia notado isso em Avatar, que quase não se preocupa com os personagens, mas consegue algumas dos cenários mais impressionantes que vi.

E se a continuação da história do Panda fã de Kung Fu peca por tentar ser o que não é (e ai vale citar o último filme dos bonecos que soube bem amadurecer a história), acerta completamente na composição estética. As duas formas – a digital e a que simula o desenho de traços retos – são muito bem resolvidas e fazem quase todas as cenas do filme valerem a pena. O clímax na chuva é de uma beleza rara nas animações. Espero que outros estúdios aprendam essa lição, o cinema só tem a ganhar.