Os bons companheiros – Martin Scorsese (EUA, 1990) 9.0/10

Diferente da visão torta que Coppola apresent0u para o dono das ruas (ou do mundo em alguns momentos) em O poderoso chefão, aqui Scorsese filma um conto urbano sobre meninos obcecados pelo poder de mandar. O filme de 73 conseguia dar força à maior instituição (aquela que fica acima de todos): a família. Este aqui tenta realçar os laços da amizade e do companheirismo através de personagens infantis, com objetivos por vezes simples demais. A obra-prima de Scorsese é, como explica o próprio narrador, uma história de gente comum.

Num filme de Máfia nada mais justo do que seguir os ensinamentos de Howard Hawks (de Scarface) e apostar no impacto das cenas. A coleção aqui é bastante rica (mesmo se tratando de Scorsese), cenas de bar, de assassinatos, de faixas clássicas do rock n’ roll entre uma e outra expressão facial, de jogos de poker e principalmente as cenas dos surtos do personagem de Joe Pesci (genial no papel do inconsequente Tommy DeVito).

Não é o filme definitivo de Scorsese (sou do time de Taxi Driver), mas guarda como poucos a principal motivação do diretor: o amor pelo cinema. Esse é o longa dele em que mais podemos encontrar referências a outros filmes. E, se não me engano, este é seu favorito entre os que ele fez. E um dos dez melhores dos anos 90.