Potiche – Esposa troféu – François Ozon (França, 2010) 5.5/10

Antes de qualquer roteiro, Potiche – Esposa troféu foi montado como veículo para Deneuve. Quando fecho o foco do filme na atriz, os muitos defeitos da brincadeira colorida de Ozon parecem flutuar, muito menores do que Catherine. Ela personifica toda a história do cinema francês ou, ao menos o que o diretor acha significativo. A cena final, a parte musical (que não é novidade na filmografia de Ozon), funciona como uma homenagem à importância da atriz para o cinema – a família Pujol é dona de um fábrica de guarda-chuvas (que nos remete à Os guarda-chuvas do amor de 1964, filme que marcou o início da carreira de Deneuve).

A outra parte do filme é menos interessante, focada em esteriótipos que Ozon nem faz questão de aliviar – é proposital, como sempre. Não dá nem para falar em exagero, pois os filmes do diretor francês costumam ser assim (ainda que eu prefira experiências mais finas e espertinhas como Ricky de 2009). No entanto, esta não passa de uma típica comédia dos anos 70. Típica, com a exceção, é claro, de Deneuve, sempre maravilhosa, superior a qualquer personagem, cena ou diálogo. Uma musa enfim posta num pedestal.