Os Guarda-Chuvas do Amor – Jacques Demy (França, 1964) 8.0/10

O que mais me impressiona é como Demy se aproveita das facilidades do roteiro para criar uma linguagem própria (o cinema como partitura de música). Há algo de sarcástico na forma como o diretor aos poucos parece sabotar essa história de amor – o feliz do happy ending é na verdade bem frustrante. Os personagens são como argumentos ou posicionamentos de Demy perante o cinema (e tudo que há de colorido e exagerado) e a vida (e tudo que há de doloroso e imutável), me lembra principalmente o tom piadista de Bonequinha de Luxo e o moralismo caloroso de Minha Noite com Ela do Éric Rohmer. E não há dúvida que Catherine Deneuve é um monumento do cinema francês. Ela nunca esteve tão frágil e encantadora quanto neste aqui.