Um Corpo que Cai – Alfred Hitchcock (EUA, 1958) 10/10

Obra-prima máxima do mestre do suspense. Durante quase toda a sua duração, Hitchcock tenta nos fazer duvidar de suas intenções (é tudo uma assombração ou um sonho?). Num dado momento o protagonista explica: “Há sempre uma explicação”. A própria câmera faz questão de confirmar isso, seguindo pistas como num filme de investigação. Impossível, no entanto, entender o desfecho de Um corpo que cai como uma explicação – a última queda é mais fantasmagórica do qualquer outro momento do longa (passamos a duvidar até de nossa própria percepção e aos poucos reconstruímos a história em nossa cabeça, começa então a espiral da dúvida). Está ai uma daquelas obras praticamente perfeitas – depois desse, Hitchcock entraria numa fase tão criativa que os seus longas pareciam não ter nenhum segundo sequer de gordura. Ainda assim, nenhum outro chegou aos pés desse, não houve outro filme tão absurdamente apaixonado pela própria arte e outra história de amor tão violenta.