Uma Mulher é uma Mulher – Jean-Luc Godard (França, 1961) 8.0/10

Na Nouvelle Vague, Truffaut é tido como o apaixonado e Godard como o cretino. Em Uma Mulher é Uma Mulher, Godard consegue ser tanto um cretino quanto um apaixonado. Não dá para defender o filme sem afirmar que, antes de ser uma paródia que, para variar, sai desconstruíndo uma série de clichês de gênero, este é um filme homenagem a Anna Karina (com quem o diretor viria a se casar no mesmo ano).

Montada a pompa multi-colorida para Karina, Godard se sente livre para fazer qualquer sandice (e deixar a atriz sob o controle de absolutamente tudo). Do mero preparo de um ovo à uma belíssima cena musical, Anna Karina está acima de qualquer argumento feminista ou machista, aqui ela personifica não a mulher comum, mas a mulher de Godard – que encanta, apaixona (pobre Belmondo), sofre e por fim, do jeito que for, consegue o que quer. Não é O Demônio das Onze Horas, mas é um belo filme.