Marnie, Confissões de uma Ladra – Alfred Hitchcock (Marnie, 1964) 8.0/10

Um dos filmes mais incompreendidos do mestre. Mas que mostra que nos últimos filmes, Hitchcock já tinha um domínio aburdamente preciso da própria linguagem. Por isso é bem fácil julgar Marnie como um exercício. Para mim está –  junto com Um corpo que Cai – entre os filmes que ele vai mais afundo numa das suas características mais recorrentes, a psique humana. Aqui, o roteiro daria perfeita abertura para o diretor construir um melodrama ou um romance, mas, como diz Truffaut, Hitchcock fez um filme doente.

Atrás de imagens que personifiquem sentimentos, ele acaba criando um ritmo tão violento que nos instiga mais do que o tradicional suspense. Ainda que ele esteja lá e seja magistralmente trabalhado numa genial cena de roubo. É verdade que Connery, canastrão para variar, não ajuda em nada na dinâmica do longa, mas Tippi, que é uma atriz de um truque ou outro, se sai bem. Seria redundante comentar que este está entre os filmes que ele consegue o ritmo ideal, mas é a pura verdade, mesmo com a longa duração, a mão do diretor segue leve, apostando na própria dinâmica da dupla.

Aqui está um dos longas dele que encaramos as duas principais divisas entre o cinema do gordinho com mais clareza. De um lado, o crime que distorce a imagem do ser o humano. Do outro, o amor: que cura, que protege e que vicia.