Assalto ao Banco central – Marcos Paulo (2011) 0/10

O líder – o manda-chuva – joga xadrez e bebe Dry Martini. A gostosa usa vestidos curtos. O sujeito que cava túneis chama-se Tatu. Nesses esteriótipos está formulado um certo tipo de imaturidade (ou preguiça) que não costumámos assistir num filme de Steven Soderbergh e que expõe a olho nu o que há de mais errado no cinema popular nacional.

O maior vilão chama-se Rede Globo. A impressão que fica depois de assistir Assalto ao banco central é que a emissora se dispõe a contratar um diretor qualquer, carregar alguns atores “globais” e gravar um capítulo de alguma mini-série que estava prontinha para cair no pequeno espaço das nossas televisões. A grande máxima do cinema globinho: não há respeito a inteligência do espectador, porque não há filme (e se não há filme, a suposta diversão se imposta nas gags com a forma do povo falar e se expressar, já não tinhamos tido o suficiente?). Se queríamos um exemplo nacional de como filmar o absoluto nada, finalmente o temos.

Ao emular a história real de um dos maiores assaltos já realizados, o longa de Marcos Paulo automaticamente se coloca para o público com o DNA de filme. A construção da dramaturgia (que tenta simular os filmes de José Padilha) em nenhum momento se desgruda do óbvio, espelhando-se nos também nada louváveis longas policiais americanos – sem falar da maior armadilha do nosso cinema: uma cascata de alívios cômicos que surgem como desculpa para a longa duração – ainda rimos de palavreado desenfreado?

O elenco se contamina realizando um verdadeiro show de horrores, onde só sobrevivem aqueles que não optam pela construção escancarada de um “bando de ladrões”. A grande premissa do maior assalto ocorrido no Brasil se torna uma novela sobre o povo que fala engraçado e não sabe lidar com o dinheiro nas mãos. Fazer cinema fica para depois. Outros dilemas e ganchos, como o caso da policial homossexual, acabam servindo novamente como uma piada pronta.

O público ri. E pelo andar das coisas, vai seguir rindo.