Sua Alteza – David Gordon Green (2011) 3.5/10

Um certo amigo meu uma vez me disse que viveria em perfeita harmonia num mundo só de filmes thrash. É uma visão até agradável quando pensamos nos filmes mais soltos de Tarantino e nas loucuras de Robert Rodriguez. Infelizmente (ou felizmente) veriamos por aí muitos filmes como esse Sua Alteza.

Danny McBride (o protagonista) assina o roteiro que mais parece um sket de stand-up comedy, por vezes engraçado e por outras simplesmente idiota. Idiotisse que, se depender de James Franco (os poucos momentos suportáveis de Besouro verde ficaram nas mãos do sujeito) e Justin Theroux (hilário como o bruxo Lezar), pode muito bem funcionar. Não vale a pena discutir a funcionalidade do longa, já que o mesmo existe apenas para McBride despejar longos minutos de cock jokes. Mas felizmente, seu humor pouco louvável, não deixa de fora algumas pontas interessantes que David Gordon Green consegue explorar com algum vigor.

Se traçarmos um compartivo entre o princípe Thadeus e o roterista é fácil encontrar a principal chama que alimenta Sua Alteza: a infantilidade do argumento. Não é possível encarar isso com muita gana, é verdade, mas não deixa de ser interessante perceber que o príncipe transmite a essência frágil de quem escreve a história. Um sujeito que inveja o irmão porque quer ser rei, que arranja um companheiro animal apenas para bater de frente com o significante do irmão ou até mesmo o apaixonado que malha a mulher amada ao se deparar com competidores (a cena do bar é sem dúvida a melhor do filme). Bride, ao menos, é honesto.

A participação de Natalie Portman (no seu terceiro filme nesse ano, o quarto que chega ao Brasil, seja no cinema ou, como nesse caso, em DVD) talvez transcreva direitinho a essência dessa bobagem. O que as suas atuações tem de mais metalinguístico com os filmes que fez depois de Cisne negro é que a princípio ambos não se levam tão a sério. E isso Emma (de Sexo sem compromisso), Jane Foster (de Thor) e Isabel (a arqueira sanguinária de Sua Alteza) tem em comum. São interpretações relaxadas, de quem parece que não precisa provar muita coisa. Sem ligar para a linha lógica da história, o filme funciona da mesma forma.

O caminho, por isso, pode ser longo demais para aqueles que não se interessarem pelas piadas de mau-gosto – eu confesso que me diverti em algumas cenas. Mas tenho que admitir que levo na boa filmes assim, idiotas, enquanto simplesmente detesto filmes idiotizantes como os longas de Michael Bay e Paul Haggis. Pois, como eu disse, o homem que escreve o roteiro passa a impressão de não estar ali querendo provar nada, apenas fazendo a merda que lhe condiz. Há algo de pessoal nisso, e é justamente o que falta nos longas dos dois diretores citados acima.