Clean – Olivier Assayas (Clean, 2004) A

No segundo trabalho com Maggie Cheung, Assayas volta a encarar o mundo através dos borrões das fronteiras. Emily é londrina, teve um filho americano, tem origem chinesa e mora na França. Nenhuma dessas barreiras, no entanto, desarmam as conversas que os adultos tem com a criança, Assayas evita a mentira, a atenuação do argumento. E aí fica claro que para o diretor, o que nos afasta uns dos outros não é a demarcação do território, mas as formalidades sociais. No pano-de-fundo um bela história que se não fosse conduzida com total sutileza cairia facilmente num terreno comum. Mas enquanto outros diretores provalvemente estariam interessados no desastre que separa pessoas, Assayas – retornando aos temas de Água Fria (1994) – se interessa pela separação pessoal: façam o que quiser, atravessem fronteiras, nenhum personagem consegue escapar da condição de eterna solidão existencial.