Watchmen – Zack Snyder (EUA, 2008) 4.0/10

Sim. Eu prometi a mim mesmo que jamais faria isso de novo, mas como estou tentando comentar tudo que assisto (mesmo que seja com comentários curtos), cá estou escrevendo sobre um filme de… blergh… Zack Snyder. Vamos lá então, senhores? Watchmen consegue englobar nas suas longíssimas duas horas e meia tudo que há de errado no cinema de entretenimento de Snyder: a câmera lenta, a falta de talento para conduzir o roteiro sem se aventurar numa interminável sequência de fatos, a trilha sonora que dispara hinos do rock n’ roll para espectadores que esperam catarse, a crença babaca de que a verborragia infindável vá sustentar um espetáculo de soft porn e violência gratuita sob o efeito de um carga estética insuportavelmente cansativa.

Porque então não passei a exibição em total tédio? Agradeça ao texto genial das HQs de Alan Moore (que sabiamente não assina nada aqui), um belíssimo conto sobre super-herois desacreditados numa América em cacos – vivendo o período mais crítico da guerra fria, aquele que quase culminou na Terceira Guerra Mundial. Na câmera Snyder vomita recursos que no máximo soam cafonas (e escolhe atores péssimos para viver seus herois) e com um roteiro brilhante em mãos faz apenas mais um filme de ação. E dizem as boas bocas que é melhor filme dele. Não duvido.