Three Times (Idem, 2005) de Hou Hsiao-Hsien.

Depois de uma segunda experiência dá para entender como funciona o cinema do japonês: não são narrativas objetivas, a câmera dele está em toda parte atrás não de uma ação, mas de um movimento de corpo, um sinal que diga a ele que hora ele deve encerrar o plano. Hsien não filma personagens, filma a vida, filma uma atmosfera. Dividido em três partes, Hsien conta três histórias de amor em três períodos diferentes.  O tempo, no entanto, pouco importa.

O diretor cria uma linguagem corporal que é mais prolixa do que qualquer filme do Godard. Isso já ficava bem evidente em Café Lumière: aqui nunca acontece nada. O protagonista não age bruscamente atrás da mulher que ama (pois não é assim que as coisas acontecem), os fatos se desenrolam ao tempo que o filme cobrar. De Kar-Wai a Ozu, Hsien pinta uma belíssima fotografia do amor – dessa droga fortíssima e tão sub-aproveitada pelo cinema pipoca americano.