E La Nave Va (Idem, 1983) de Frederico Fellini.

Exageros estéticos, Fellini possui todos eles. Todos mesmo. Grandiloquência, perfeccionismo, eloquência. Fellini quer tudo – e como vimos, às vezes não quer nada. Tudo que ele filma parece exceder a tela. O clímax de seus filmes geralmente são a última gota que falta para o copo d’ água transbordar. E la nave va é uma obra-prima de exageros – cada um mais grosseiro que o outro, cada um mais belo que o outro: da imagem final, que coloca o protagonista remando um bote junto a um rinoceronte (olhe a força da imagem que o sujeito cria!) à cena em que Fellini desconstrói toda a cenografia. Ele destrói o cinema para construí-lo. Masoquismo cinematográfico, deturpação da realidade – Lars von Trier sonha com isso, não é?

Cá estamos diante de uma ode à imagem que se projeta na tela. Todo o trabalho de fotografia (que lembra muito o de Barry Lyndon do Kubrick)  parece mirar o sublime, assim como o conjunto de cenas – cada uma um ensaio social, crescendo progressivamente até a aria final, a última canção. No limite entre a comédia e o registro jornalístico, Fellini exercita fazer cinema. Não deixa de ser uma defesa à informação, ao dever de informar – e eu como aspirante a jornalista também fiquei emocionado com a despedida do protagonista (que também tenta esconder sua emoção).