5. O Garoto de Bicicleta – Jean-Pierre e Luc Dardenne

Há uma marca autoral em O Garoto de Bicicleta –  e isso fica mais evidente nas cores do que em qualquer outro lugar – no entanto, o que me impressiona é que este é um dos poucos filmes em que não se enxerga nenhum maneirismo estilístico; o que temos é um corpo que, depois de receber algumas pancadas, reluta em ficar parado.

4. A Pele que Habito  – Pedro Almodóvar

É sim o filme em que Almodóvar volta a nos deixar perplexos com seus exageros e bizarrices. Mas, como o Hitchcock de Um Corpo que Cai, este é o longa que nos mostra um diretor obcecado pela principal arma do cinema: a imagem. A pele é apenas uma metáfora, é o que dá forma aos nossos instintos e é também o que regula nossas ações, sejam elas por amor, tesão ou vingança.

3. Cópia Fiel – Abbas Kiarostami

Muito mais do que um ensaio sobre arte ou – quem sabe – sobre o matrimônio, o novo de Kiarostami trava uma batalha com espectador sobre o direito de duvidar do que assistimos. Até onde o que vemos não está emulado em nós sobre o que queremos estar vendo? Cópia Fiel é um filme sobre dúvidas, mas também é uma obra sobre nossas certezas.

2. Um Lugar Qualquer – Sofia Coppola

Como Tarantino tinha feito em À Prova de Morte, Coppola vai atrás do que há de mais calórico em seu cinema. O nada, a falta de razão, este é seu principal tema. Por isso o protagonista passeia pelas cenas como se não tivesse um lugar para existir ou um algo para fazer. Um Lugar Qualquer é a forma cinematográfica da estréia do James Blake: silêncio, vazios e tristeza. 


1. Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas – Apichatpong Weerashetakul

No delírio de Apichatpong, o que fica como registro é a câmera parada como se apenas filmasse a rotina. Esta é uma arte de sensações particulares, o que talvez explique porque eu nunca consigo esquecer da cena que abre o filme: as sombras da floresta, o barulho dos insetos, o ar fresco e os dois olhos vermelhos apenas observando.