Cá estamos diante de um disco que revela-se muito simples, como um fruto do meio indie, um outro participante da dança dos panos-de-fundo (uma década, uma referência, uma homenagem). Desde o início da década passada há uma busca muito objetiva (e natural) de mirar uma década e dela extrair sua máxima. O passo seguinte é revitalizar por um viés estreito, com efeitos modernos e nuances que deem ao disco a aparência de uma tentativa quase arriscada. Um caso bom para exemplos é o do The War on Drugs. Em discos como Slave Ambient a tentativa fica tão evidente quanto os freios que as regulam.

Voltemos a este aqui. Que, quero deixar bem claro, não me incomoda, não mesmo. Não há nada de errado com Attack on Memory. Muito menos com a banda, os jovens do Cloud Nothings – que não me deixam mentir, são bons músicos. Se há uma coisa que não falte aqui é técnica. Mas, como o The War on Drugs, o grande deslize desse álbum (de estréia?) da banda é a essência dessa tentativa, que é sim muito segura. Segura não porque não se arrisque num mar de referências (são muitas, de Slint a Nirvana), mas porque o principal compositor ainda escreve numa zona de conforto.

Falta ao Cloud Nothings aquilo que ultrapasse a estética belíssima que o seu P&B ruidoso ostenta. Como eu disse antes: não há nada de errado com o disco – e talvez seja esse perfeccionismo intelectual que entre no caminho deles.

É um disco de gênero por assim dizer, e por isso acaba apostando numa produção controlada, firme e unidimensional (banal durante toda a execução). As letras também não dão espaço ao talento explosivo da banda, mas retornam à um território conhecido (da mesma forma que atrás de cada surto há um sinal colocando um dos pés no chão). Este poderia ser, como aponta o roteiro, um diário de um adolescente irritadiço, frustrado com a velocidade do seu tempo.

O que acabo enxergando são diálogos muito breves e singelos para um personagem que me parecia ser tão complexo numa primeira impressão. E assim como a memória fugaz que o personagem reclama, o disco vai desaparecendo pouco a pouco da minha lembrança.