(The Artist, 2011) | Michel Hazanevicius | B

A primeira falsa (ou melhor dizendo, incorreta) informação que recebi sobre este filme foi de que se tratava desses longas para cinéfilos – seja lá o que isso signifique. Um filme em P&B e mudo. A ideia era que, para o grande público, uma homenagem ao cinema jamais funcionaria caso apostasse nessas duas características. Não é verdade.

É sim muito fácil gostar de O Artista. Os atores são ótimos e o cãozinho adorável. Há tiradas de humor engraçadas e cenas filmadas com impressionante rigor técnico. Os cenários são impecáveis. Os tiques do cinema mudo foram adaptados com muito cuidado e respeito (com exceção do tremor da imagem, uma das marcas do cinema pré-1927). Está tudo aqui. Este é sim um filme mudo.

O assombro é automático para quem nunca assistiu um longa mudo. O filme ganha essa aura de ousado por se tratar de um cinema pré-histórico em pleno século XXI. Não me impressiona. A ousadia se limita aos acessórios estéticos, no restante Hazanavicius é só comum – em resumo O Artista conta a história de um ator que não conseguia aceitar a chegada do recurso de som (é uma tradicional história de queda e ascensão), ok até aí, fico com Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950).

Quando o filme chega aos 30 minutos e a narrativa empaca fica evidente como a sua única proposta é a de exibir suas atributos estéticos. Apostar no seu carisma, no carisma de seus atores. E não há nada mais ultrapassado do que isso. Troca-se a linguagem, mas mantém-se a aposta no apenas correto: que não ofende e nem incomoda o público. O resultado é um filme divertido, tocante em alguns momentos, com uma ou duas sacadas inteligentes. Um longa bacana e medíocre.