(The Descendents, 2011) | Alexander Payne | B

Não dá para negar que Os Descendentes é um filme bonito e bem intencionado, da mesma forma que não dá para negar que é também um longa morno, quieto, medroso; para quem gosta de expressões grosseiras que definem porcamente: o novo de Alexander Payne é melhor do que Sideways (2004), mas é daquela linha de não fode nem sai de cima.

Quer ver porque? Os dois personagens centrais da trama são pessoas comuns que tem problemas comuns e vivem uma vida comum. Como todo drama é necessária uma fatalidade para que os personagens tomem conta de que chegou a hora de mudar, crescer, evoluir. Nada mais justo não é? O problema é que para Payne a coisa funciona de forma escatológica: passo a passo. Clooney interpreta o sujeito mais imaturo do planeta tentando passar a imagem de um bom sujeito (afinal precisamos nos relacionar com ele, precisamos torcer para que ele acabe bem).

Os tipos são básicos, da mesma forma como a narrativa nunca ultrapassa o tom cuidadoso. É um filme triste e duro, mas feito de uma forma que não causa indigestão ao público de fim de semana – afinal, ninguém quer ver um longa absolutamente triste (e por isso as tiradas cômicas e os personagens caricatos).

Payne se tornou ao longo do tempo um belo administrador de objetos imaculados: filmes família. Sweet sweet movies – a trilha sonora docinha não me deixa mentir. Muito diferente do mesmo Payne de Eleição (1999) que ia sabotando nossas impressões dos personagens e nos deixando sem saber bem que era o justo. Aqui não tem erro, Clooney é o heroi. E talvez nem ele compreenda porque os outros personagens não possuem o mesmo foco que ele (a câmera o acompanha durante todo o tempo). Há brechas interessantes dentro do personagem de Shailene Woodley e do seu “namorado”, que o diretor apenas toca, sutilmente, com muito medo de ferir nossas impressões sobre eles.

Me fez sentir saudade da forma natural como Éric Rohmer filmava tipos comuns: os personagens iam se transformando ao longo do filme, por conta própria. Não era necessário que a esposa entrasse num coma para que tudo ficasse claro. E é aí que percebemos que o diretor ainda abusa de uma necessidade explanatória – em melhor resumo, Kevin Barnes do of Montreal no auge do seu exagero nos avisa: “is fucking sad that we need a tragedy to gain a fresh perspective in our lives”. Uma bobeira que Payne toma como verdade absoluta e como único motor de seu filme.