(Hunger Games, 2012) | Gary Ross | C

Se você procurar imagens de Hunger Games no google, encontrará uma montagem onde a personagem de Jennifer Lawrence aparece em contraste com a personagem de Kristen Stewart em Crepúsculo. A comparação nem é justa, mas talvez nos ajude bastante a entender para que público Jogos Vorazes foi feito.

O público da série de Stephenie Meyer é o de jovens adolescentes, entre 13 e 16 anos, que ainda não compreenderam exatamente o que deveriam amar. Não li os livros, mas o filmes apresentam poucos desafios para essas meninas recém-púberes. É a possibilidade única para se apaixonar por um mocinho que ama incondicionalmente e, claro, de se encontrar numa protagonista que se percebe num terrível tédio existencial (que elas mesmos nunca tinham reparado que sentiam até decidirem que precisavam de um príncipe encantando em suas pacatas vidas).

Para ultrapassar tudo isso, Jogos Vorazes, tem uma protagonista muito maior. Um menina que durante todo o filme nos faz duvidar de suas intenções. Ela luta pela própria sobrevivência. A personagem em momento algum depende da força de segundos: durante todo o filme, a força vem dela. É uma forte candidata a adoração, e por motivos muito mais justos do que os que fizeram as adolescentes se identificarem com a mocinha de Crepúsculo. E não à toa Jennifer Lawrence empresta todas as características da sua personagem de Inverno da Alma (2010), são personas idênticas.

Por esse detalhe único, eu já seria capaz de foliar algumas páginas do livro. O livro por sinal salva o longa do desconhecido Gary Ross. Como raramente acontece, a metáfora da história é tão interessante que nos faz por alguns segundos esquecer que estamos diante de apenas um funcional filme de ação. Ainda assim, com boa metáfora ou não, foi impossível não tratar o longa (e não o livro, leia bem!) como um resposta aos longas da série Twilight.

As cenas de ação deveriam estar lá para botar as batalhas dos vampiros e lobisomens no bolso. Não é o que acontece. O sangue aparece na tela, mas para evitar problemas com a censura, o diretor higieniza as cenas com cortes abruptos. Quase impossível acompanhar o que está acontecendo durante uma sequência de luta.

O romance dos personagens é o segundo ponto. O filme tenta a todo custo dar uma função à relação dos dois principais. Nada aqui acontece por acaso – ainda que sim, os motivos de quase todos sejam muito dignos.

Para adaptar o restante da trama, Ross aposta numa série de técnicas dramáticas muito básicas. Na falta de um olhar mais interessante para os personagens, ele construí tipos unidimensionais. É uma estratégia preguiçosa que nos ajuda ainda mais a chegar a conclusão de que o diretor só estava querendo entregar uma encomenda.

Quem o tratou como um produto pop com um pouco mais a oferecer, talvez tenha esquecido de que o filme apenas se utiliza das ideias do livros como desculpa para nos entregar um material comum, tão juvenil quanto Crepúsculo.