(The Avengers, 2012) | Joss Whedon | C+

Tentando achar algum super produto comercial para comparar com esse Os Vingadores do Joss Whedon acabei me lembrando de qualquer disco do Coldplay pós-Parachutes de 2000. Estamos falando, claro, do mundo das comparações absurdas, das licenças-críticas exageradas, mas há algum sentido nisso tudo.

Isso acontece porque os dois me parecem ser crowd-pleasers muito competentes em administrar grandes sentimentos, sejam estes sentimentos universalistas passionais (voltados para o público que compra os DVDs do Live Aid) ou somente provenientes de um fetichismo por seres-humanos fantasiados (para o público que recusa esquecer não da infantilidade dos super-heróis, mas da infantilidade do cinema de ação sobre super-heróis).

Acontece aqui o mesmo tipo de igrejinha que rege um concerto do Coldplay, uma espécie de momento de calor humano quase sobrenatural que faz com que por alguns minutos esqueçamos de que estamos diante de apenas uma projeção de imagens numa tela (de um jeito negativo). É um filme que nos explica muito sobre o fanatismo que Marvel estimula – afinal, quem não quer ver os seus personagens favoritos explodindo monstrengos num mar de CGI?

Devemos culpar quem, os personagens ou a direção de Whedon? Lembrem-se que estamos falando de um sujeito capaz de explodir uma cidade inteira sem matar absolutamente ninguém (só mata, é claro, o gancho entre todos os filmes da série). É como se estivéssemos presos, nos minutos finais, num longa de Michael Bay (lembranças de objetos idiotizantes como Transformers surgiram na minha cabeça).

Whedon não cria cinema, somente um longíssima apresentação de uma quantidade absurda de alívios cômicos e lutas épicas (que me fizeram sentir saudade das lutas alegóricas que o Peter Jackson dirigiu para os filmes do Senhor dos Anéis).

O momento chave é quando numa emboscada, Tony Stark brinca com Thor sobre uma “discussão shakesperiana no parque”. É quase como se a Marvel estivesse debochando da pequena contribuição autoral de Kenneth Branagh ao prelúdio, Thor (2011).

Sem nenhuma particularidade para oferecer, Joss Whedon, apenas surge na forma de uma tentativa de dar liga às múltiplas histórias geradas pelos filmes anteriores – o que o tira automaticamente da posição de diretor, aqui ele não dirigi nada, apenas preciosa o acelerador num linha reta já percorrida infinitas vezes pelo cinema de ação.

O que sobra é muito pouco cinema e muita enrolação voltada apenas para fazer os fãs saltarem das cadeiras. Whedon apenas encosta nos temas dos outros longas: o egocentrismo autodestrutivo de Tony Stark, o drama shakespeariano de Thor, o patriotismo cego do Capitão América. Os personagens perdem suas particularidades para seus alívios cômicos. A vitória, infelizmente, é da marca.