(The Last Picture Show, 1971) | Peter Bogdanovich | A+

Acima de tudo um filme sobre fetichismo adolescente. O apelo sexual é totalmente puro, não há nada aqui que simule o choque de uma atração carnal. Mas estamos falando de um longa sobre o fim de uma geração, o fim de uma cidade. O tom é sempre melancólico. Causa a sensação de ouvir uma lovesong do Neil Young (Oh, lonesome me cairia perfeitamente nos créditos do longa). O interessante é que Bogdanovich não escandaliza, nem muito menos julga, ou enxerga devassidade nos seus personagens (ou até crueldade), o que ele reforça é forma natural como as coisas vão chegando calmamente a um fim, a um vazio.

Daí que a sina do protagonista estava lá desde o princípio. O que os 120 minutos do filme tratam de mostrar é forma decadente com que o ambiente vai contaminando suas escolhas. É sem a menor maldade que ele para de falar com Ruth, é talvez por vergonha de amar uma mulher que é somente bonita (uma Cybil Shepherd burramente bela). A vontade talvez fosse a de congelar um estado, uma imagem de um geração ou de um lugar, mas o vento trata de levar tudo embora. Doce solidão.