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(Paraísos Artificiais, 2012) | Marcos Prado | D

Num texto formal, eu tentaria explicar como o filme parece se esconder do fato de que simplesmente não consegue encontrar nos seus personagens contextos suficientemente interessantes para nos impressionar com as tais tão intensas cenas de transe. E, nessa empreitada, acaba se tornando tão vazio e infantil quanto seus personagens. Até porque, de transe, Marcos Prado sabe um pouco, pois dirigiu um documentário belíssimo em 2004  – Estamira –  que trabalha com o limite entre a realidade e fantasia de uma forma muito mais particular do que esse portfólio de efeitos visuais chamado Paraísos Artificiais.

Nesse mesmo texto formal, eu aproveitaria para explicar como a trama se pretende a esteriótipos narrativos apenas para criar dramas aparentemente tocantes. Aproveitaria para mostrar como o desfecho tenta dar a toda a narrativa um tom mais pesado e intenso, sem antes mesmo resolver porque deveríamos ter tanto interesse assim pela história de personagens tão unidimensionais. Eu poderia finalizar a minha crítica lhes dizendo como a direção de atores é precária e sonolenta e, como os atores também não fazem questão de sair de suas tocas.

Mas vou usar esse meu espaço, meu blog, para ir além do filme. Afinal, é por causas dessas liberdades que preferimos os blogs às publicações profissionais que se prendem ao eficiente.

O que o filme mostra quase cruamente é uma geração de jovens nada atraente. E isso me incomodou mais do que o drama familiar que o longa defende. Enxergo perfeitamente uma geração (ou ao menos uma parcela grande dela) focada numa busca por sentimentos e vocações em lugares errados. Talvez seja mal do filme, ou não tão somente dele, mas é frustrante perceber que estamos diante de uma geração que, cada vez mais, se desliga de uma noção de sensibilidade e diferença.

Quando encaro os jovens que circulam pelas cenas de Paraísos Artificiais, consigo apenas visualizar pessoas sem particularidades, sem a capacidade de fazer um comentário dispare sobre algo que lhes interessa. A personagem de Natália Dill numa cena tenta nos fazer acreditar que ela se preocupa com a passagem do tempo. É difícil, para mim, acreditar naquele testemunho porque, antes de mais nada, não consigo extrair da personagem nenhum nuance. Ela representa –  sem querer, é verdade – uma geração vazia de estímulos, de sonhos, de interesses somente deles.

Eu poderia reclamar de Marcos Prado que, ao invés de seguir o caminho de Gus Van Sant, e apresentar a adolescência como uma coleção de jovens com seus mistérios pessoais, caso não visse no seu registro algo de real. Sem extremismos aqui. Existem casos e casos. Mas é quase impossível fechar os olhos para o que já vejo há certo tempo: uma adolescência trêmula, incapaz de extrair algo de singular do seu tempo, tímida demais diante das próprias capacidades.

Quando a protagonista informa ao espectador que sofre de dilemas existenciais, só consigo imaginar uma jovem projetando medos alheias em sua persona. Ainda que seu relato seja real, só percebo um mau naquela pessoa: fingir uma dor que deveria sentir.