Etiquetas

Este é um filme misterioso. O adjetivo aqui pode soar infantil, mas faz muito sentido dentro do contexto desse monumento que é Mistérios de Lisboa. Seja como for, a serviço do suspense ou do drama, tudo que circula nas 4 horas e meia de filme nos desperta curiosidade (nem que seja a mera confusão entre tempos e personagens).

O mistério aqui não se justifica com imagens bizarras – este não é filme de David Lynch -, muito menos com o clima, mas somente no fato de que Raúl Ruiz a todo tempo tenta nos aconchegar dentro da narrativa. Trata-se de um grande melodrama que dá voltas em personagens e histórias, como se estivesse interessado até mesmo nos detalhes mais ridículos possíveis, indo e voltando como quem não quer deixar nada passar.

A câmera de Ruiz observa de longe – mas como total atenção -, sempre encontrando conforto em planos extremamente bem construídos. É como se o diretor quisesse colocar todos os elementos numa posição ideal dentro do quadro – cada objeto, poderia apostar, possuí alguma semântica.

Conforme a história evoluí, somos pouco a pouco sendo sugados por personagens de múltiplas facetas (um deles é quase um camaleão). E aí que Mistérios de Lisboa se revela um grande exercício de dramaturgia. A ponto que, pouco importando o caminho – e mesmo depois de muitas horas de filme – tudo que queremos é acompanhar quem anda pela tela.

(Mistérios de Lisboa, Portugal) de Raúl Ruiz. 2011. A+