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Tintim é um jornalista de espírito aventureiro, um herói que não desiste enquanto o mistério não for resolvido. Ao seu lado, o menino tem um fiel escudeiro, um cão simpático e corajoso. Para ele não há perigo grande demais. Irá fundo; até onde for necessário.

A serviço do tom fabulesco que Spielberg é apaixonado, o perfil acima seria perfeito. O problema de As Aventuras de Tintim é que o apego do diretor ao personagem é somente ancorado na sua funcionalidade. Se estivéssemos num filme fábula, tenho certeza que de o diretor olharia para Tintim de forma muito mais interessada – não é o caso, este não é um filme irmão de A.I. – Inteligência Artificial ou ET – O Extraterrestre.

O que acontece é que, com o seu sempre impressionante vigor técnico (e disso não dá pra reclamar do filme), Spielberg toma na mão o conjunto de personagens inventados pelo belga Georges Remi (Hergé) e constrói uma aventura qualquer. Uma busca, diga-se de passagem, que deixaria irritado até os mais preguiçosos dos roteiristas.

Depois de uma hora de correria, acabo apenas vendo a imagem de um diretor que aprendeu como movimentar uma máquina comercial. Afinal, como divertimento puro, Tintim oferece algumas passagens até interessantes: um complexo plano-sequência na metade final, um impecável trabalho de captura de performance (técnica para emprestar expressões de atores reais às animações), um oceano de beleza plástica; enfim, puro eye-candy. Tudo isso unido a um vazio de proposta, uma construção narrativa de uma impessoalidade impressionante (Edgar Wright é o coescritor, mas também não dá as caras), para um sujeito que se diz fã dos quadrinhos.

O Tintim de Spielberg é um herói qualquer, disposto a encarar uma aventura qualquer, sem particularidade qualquer. Sem a força de um personagem mais sedutor, o filme sofre em palidez. E a ação constante acaba sendo a única saída para uma história igual a tantas outras.

(The Adventures of Tintin, EUA) de Steven Spielberg. 2011. C+