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Não foi agora com esse reboot e nem antes com o adorável “(500) Dias Com Ela” que Marc Webb dirigiu um grande filme. Mas ao menos esse longa nos dá a esperança de que, sim, o grande filme desse iniciante diretor pode eventualmente acontecer.

Duvido muito que Webb tenha tido mais liberdade do que Joss Whedon (do ensosso “Os Vingadores”), mas, diferente deste, em cada cena – mesmo com os equívocos do roteiro – o diretor parece querer dar uma cara sua. E, claro, como acontecia no longa anterior do sujeito, para cada acerto, ele comete alguma derrapada terrível.

Sam Raimi, o diretor dos filmes anteriores do aranha, escondia as fraquezas dos dramas com episódios de romantismo (vide a melhor cena que você irá encontrar em qualquer filme de super-herói, quando Peter Parker é carregado pelas braços dos cidadãos logo após deter o colapso de um metrô). Webb é mais prático – até porque tem na mão um roteiro muito ralo (com resoluções dramáticas e personagens que devem ser encontrados em qualquer fita barata de herói) -, e opta por enfeitar cada cena como pode.

Para quem já tinha tido contado com as cenas mais coloridas de (500) Dias com Ela, não vai ser difícil perceber que Webb tem predileção pelas brincadeiras visuais que encontramos em videoclipes (ele já dirigiu mais de 50!). E o longa vive de várias delas – a principal, a névoa azul que caí sobre o clímax (mas há também um belo plano subjetivo assim que Peter termina seu uniforme). O trabalho dele aqui é de encontrar uma ou outra solução visual para um filme muito correto.

Ainda que Raimi continue imperando nos filmes sobre o aranha (as pirações autorais dele davam aos filmes um tom muito menos objetivo do que este, que a todo momento aponta para uma conclusão bem simples), é interessante perceber que as duas fitas se comunicam a toda instante.

Sobra menos o heroismo e as nerdices de Parker, e vive mais o menino atiçado pelos poderes que acaba de receber e pela imagem sempre presente do rosto dos atores. Não é à toa que o aranha sempre arranca a máscara nos momentos cruciais. Como Raimi, Webb quer retratar o menino dentro da pele de herói.

Uma pena que Webb encontre a solução para a trama reciclando a melhor ideia dos filmes de Raimi (estou falando da correria final, quando os cidadãos decidem ajudar Peter a chegar na torre Osborne e ele tenta acertar suas teias em uma série de vigas de aço) que caberia nos mais monótonos dos vídeo-games do aranha. A diferença no caso é que, enquanto um usa o calor humano para mostrar que um coração bate por baixo de uma marca (a vilã, no caso, é a Marvel), o outro opta por criar mais uma brincadeira videoclipesca.

Nos pequenos detalhes Marc Webb deixa claro que ainda precisa de algum amadurecimento; mas sim, este é um filme com muito mais particularidades do que qualquer outra encomenda recente da Marvel.

(Amazing Spider-Man, EUA) de Marc Webb. 2012. B