Etiquetas

Se Walter Salles filmou o vazio que existia entre as palavras de Jack Kerouac no esquecível “Na Estrada” (2012), Fernando Meirelles é a definição de inocência e inofensividade da câmera curiosa – somado ao vazio de um olhar. Se infiltrar em questões comuns do cotidiano pode ser tarefa fácil para diretores que acreditam um pouco mais no elemento surpresa da espécie humana, mas para quem não acredita nesse teor do acaso, sobra muito pouco.

Para Meirelles a vida é um ciclo sem curvas misteriosas em tons claros. Existem certezas demais, e elas pesam sobre as poucas dobras do filme.

360 é um longa que combinaria perfeitamente com o também bocó “Os Descendentes” (2011) de Alexander Payne. São dois exemplos de filmes que apostam na simplicidade dos personagens e na forma como eles se relacionam e sofrem com os seus problemas comuns. Seria tudo ótimo se ambos os diretores encontram-se personagens que se movimentam pela tela nos mostrando que são mais do que simples respostas a um roteiro e uma construção dramática frágil. Não é o que acontece.

Os corpos que deslizam pelo globo de Meirelles são apenas recurso de um filme esquemático, que mais parece querer caminhar para sua construção ideal do que realmente realçar o que há de particular em seus diferentes atos. Atos que Meirelles pouco observa. Como Iñarrito, o diretor brasileiro é apenas um cúmplice sem voz.

(360, Brasil/Reino Unido) de Fernando Meirelles. 2012. C