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Um grande exemplar do cinema independente americano, muito ligado a uma proposta de autocomiseração e comicidade que também encontramos nos primeiros filmes de Sofia Coppola – principalmente em Encontros e Desencontros (2003). Mas, enquanto Coppola se expressa aos grunhidos secos, Jarmusch opta pelo silêncio desequilibrado pelos cacos da vida.

Flores Partidas é uma crônica bem simples de um homem embutido de um sina que ele mesmo não se presta a mudar. Trata-se de um road-movie que revisita o passado emocional do protagonista – um sujeito frívolo que deixou feridas incuráveis nas mulheres que teve ao longa da vida (como adianta o título).

O que se sobressaí no filme, no entanto, é a liberdade que Jarmusch expressa no tempo dos planos. Como Sofia em Um Lugar Qualquer (2011), ele explora ao máximo a precisão orgânica das cenas, esticando a expressão vazia de Bill Murray ao extremo – e como Murray é um ator muito mais expressivo do que Stephen Dorff a coisa tende a ser ainda mais perturbadora. Ajuda ainda a ressaltar a ideia de que os traumas ou ausências do personagem se estendem para fora do roteiro, não há solução.

Não é à toa que um dos poucos momentos emotivos do filme seja quando ele lembra-se do que já aconteceu em forma de sonho. No cinema de Jarmusch sobra pouco espaço para catarse emotiva, o que se enxerga a olho nu é o vazio de um homem completamente sem rumo.

(Broken Flowers, EUA) de Jim Jarmusch. 2005. B+