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Cléo das 5 às 7 enriquece ainda mais o imaginário que temos da liberdade criativa dos autores da Nouvelle Vague. É um filme que possuí características tanto de Truffaut quanto de Godard, mas suas particularidades sempre deixam claro que trata-se de um longa de Agnès Varda.

O que mais vive no filme é a construção do quarto da protagonista. Um cômodo que mais parece uma piada com a herança emocional da personagem (e com a expectativa de um público que precisa achar significação para todos os elementos que aparecem em cena). Ela se veste como um anjo e profere frases que soariam como ausência de humildade se não houvesse um estado constante de crise.

Cléo (diminutivo de Cleópatra, a rainha dona dos próprios sentimentos), espera o resultado de um exame que definirá seu futuro. Entre as expectativas de morte e vida, Agnès Varda nos convida a acompanhar a sua instável heroína pelas ruas para evidenciarmos que estamos diante de uma mulher como qualquer outra: que teme a morte e se decepciona por amor. Uma mulher que precisa de toda a atenção que as pessoas podem dar a ela – o olhar de todos os homens na rua seria apenas uma ilusão criada por sua vaidade?

Na unidade existencial das duas horas mais importantes da vida de Cléo, Varda explora uma forma inquieta de cinema. A câmera funciona como um registro do espaço-emocional. Quando ela assisti ao famoso curta de Anna Karina e Godard, aquilo que vemos se transforma em Cléo. E o curta sofre e vibra como nossa preocupada heroína.

CLÉO DE 5 ÀS 7 (Cléo de 5 as 7, 1961)
Dirigido por Agnès Varda
França
Cotação: 91