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O clássico de Victor Erice é um filme sobre a contemplação do imaterial (da morte e da ficção). Mas é também uma fábula macabra das descobertas da infância. O ritmo lento e os planos longos nos sentenciam a experimentar os mesmos medos das personagens – seja ele físico (no caso do susto que a irmã mais velha dá em sua irmã menor), seja ele extracampo (o primeiro contato com a ideia de futura inexistência).

O “Espírito da Colmeia” é, na verdade, um pequeno filme de horror (em uma das cenas, a irmã mais velha descobre a vaidade usando o próprio sangue como batom). O início ostenta o letreiro “era uma vez”, mas a história é um falso conto de fadas. Há ternura (no rosto da pequena Ana Torrent, sempre um alento), mas ela é fugaz dentro de um longa com planos tão duros, quase imóveis.

O tom efêmero ressalta a forma furiosa como o deixar de existir atinge com potência uma existência ainda tão inocente e ausente de qualquer noção de responsabilidade ou legado. O filme leva a pequena Ana para o seu universo de símbolos – o cogumelo, o monstro – e a carrega para sua percepção final: a morte é muito mais do que uma simples saída da frente das câmeras.

O ESPÍRITO DA COLMEIA (El Espíritu De La Colmena, 1973)
Dirigido por Victor Erice
Espanha
Cotação: 96