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Mac Demarco grava discos muito simples. Ou melhor dizendo, ele grava discos que querem parecer simples. Quase tudo que acontece “2” sugere uma compreensão muito banal de rock. Afinal, a vida que Mac retrata aqui é nada mais do que banal. “A vida se move devagar” comenta nosso herói suburbano. Na levada preguiçosa dos personagens da vizinhança de Mac, enxergo um disco que se move de forma muito parecida: um doce e vagaroso desembrulhar de riffs de jangle pop.

Como um menino banal de uma cidadezinha banal, ele não se preocupa com o externo, com grandes viagens. Tudo o que Mac entende por pop deve ter sido embalado por programas de rádio e comerciais de televisão. Isso não é motivo para que “2” soe gratuito – este não é um álbum que qualquer um faria apenas se lançando a uma referência.

Demarco consegue músicas que soam como uma manhã preguiçosa. Um vilão e uma varanda sendo invadida pelos ainda tímidos raios de sol. Na verdade, o que temos é um ligação muito direta entre o pré-rock dos anos 50 e o jangle pop. Uma combinação que, em momentos mais inspirado como “Ode to Viceroy”, acabam soando como baladas psicodélicas perdidas no tempo – algumas se assemelham muito ao rock zumbi de Ariel Pink.

A estréia de Demarco é um recital de talentos de uma pequena cidade. Um disco que encontra suas particularidades no comum. É conjunto de canções muito semelhantes entre si, mas que nos seus pequenos detalhes nos mostram um compositor de pequenas surpresas. “Orgulho da vizinhança” ele aplaude na abertura. E parece o suficiente.