Modern Vampires of the City

“Though we live on the US, darling. You and me got our own sense of time” canta Ezra Koenig em Hannah hunt. A frase atrai toda nossa atenção à posição do eu-lírico em relação ao mundo. É uma frase que diz muito sobre o Vampire Weekend como banda e como fãs de rock, de pop, de música africana e o que mais for. O refrão continua: “If I can’t trust you damn it, Hannah! There is no future, there is no answer”. A frase é dita com tamanha frustração que é impossível não se emocionar.

A música é uma das várias desse disco que retratam o que há de mais fundamental na banda: a capacidade de dialogar com culturas diferentes, extraindo o que lhes é particular. Há sempre um sorriso no rosto, uma brincadeira que os faz muito mais interessantes que todo o restante do indie rock (um cenário que fica cada vez mais preocupado com a sua imagem). “And the punks who would laugh when they saw us together, well they didn’t know how to dress for the weather” dizem em Step. A ironia existe, mas a frase é dita com a mesma pureza de uma criança que acha curioso o rapaz de moicano e jeans rasgados em pleno inverno.

O “Modern” do título não deixa mentir, este é um disco jovem. A idade é um tema caro ao Vampire Weekend. Talvez porque a banda acredite demais na energia que emana da maioria das suas faixas. Isso reflete tanto nos temas das letras, quanto na construção das faixas. Há memória emocional suficiente (e latente) para Koenig escrever suas letras. E há ambição suficiente para Rostam Batmanglij explorar do surf-rock ao hip-hop. Se por um lado o letrista fica cada vez mais maduro, Rostam está cada vez mais crianção. Veja como os gritinhos cheios de auto-tune em Ya Hey decoram a letra feroz da música. Com a sintonia dos dois, a banda só sai ganhando.

No final, o que parece ser importante para os vampiros é ter tempo. “You take your time, young lion” comunicam na última faixa. “Everyone is dying, but girl you’re not old yet” canta Erza Koenig em outra. Há tempo, ainda existe a chance de viver, de entender o que se passa no Irã ou o que se passa no jardim do vizinho. O Vampire Weekend é o tipo de banda que se interessa por essas particularidades. Isto é, se Hannah confiar neles. Do contrário, what’s the point?

Disco em debate: Modern Vampires of the City – Vampire Weekend (2013)